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Kristy Boyce revela como D&D virou muito mais que um nicho

redacao by redacao
16/09/2026
in Capricho
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Kristy Boyce revela como D&D virou muito mais que um nicho
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Q

uando Kristy Boyce começou a escrever Dungeons & Drama, não imaginava que uma história que misturava romance, teatro musical e RPG de mesa encontraria um público tão grande. A autora norte-americana acreditava estar trabalhando em um livro bastante nichado até perceber, antes mesmo do lançamento, que alguma coisa diferente estava acontecendo.

“Várias pessoas na minha editora ficaram muito animadas com o livro e começaram a compartilhá-lo dentro do mercado editorial e com livreiros de young adult”, contou Kristy em entrevista à CAPRICHO durante sua passagem pelo Brasil.

A confirmação veio quando Dungeons & Drama chegou às listas de mais vendidos nos Estados Unidos. “Recebi a ligação dizendo que ele tinha entrado na lista e pensei: ‘Ok, acho que este não vai ser um livro de nicho. Acho que vai ser um pouco maior do que isso’”, relembrou. “Foi uma sensação maravilhosa.”

E parte desse “algo maior” chegou até o Brasil. Kristy conta que, desde o lançamento do livro, passou a receber uma quantidade constante de mensagens, comentários e publicações de leitores brasileiros. Conhecer essa comunidade pessoalmente tornou a relação ainda mais especial.

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“Eu me sinto muito amada pelo Brasil há anos. Então, o fato de eu realmente estar aqui no país agora e poder conhecer os leitores é a realização de um sonho”, afirmou. “As pessoas sempre me disseram que os brasileiros eram muito apaixonados, e isso é absolutamente verdade.”

“Talvez eu tenha ouvido mais brasileiros do que pessoas de qualquer outro país”, contou. “Existe esse nível de paixão, esse nível de carinho e até a variedade de idades. Leitores jovens, leitores mais velhos, pessoas de diferentes gêneros… Foi incrível perceber o alcance tão amplo dos livros.”

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Muito além do romance

Apesar de os relacionamentos amorosos ocuparem um espaço importante nas histórias de Kristy, eles estão longe de ser as únicas conexões que interessam à autora.

Em Dungeons & Drama, por exemplo, o RPG funciona não apenas como pano de fundo para o romance entre Riley e Nathan, mas também como um espaço de convivência e descoberta. Para Kristy, essa característica ajuda a explicar por que o universo de D&D combina tão bem com histórias sobre adolescência.

“Existe essa ideia de criar vínculos, de poder mostrar diferentes partes de quem você é, talvez encontrar um romance, mas, se não encontrar, talvez uma amizade”, explicou. “Acho que todo mundo consegue se conectar com essas coisas.”

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A relação da escritora com D&D também vem da própria adolescência. Ela começou a jogar quando era mais nova e acabou se casando com um dos integrantes de seu grupo da época.

Foi só ao transformar essa experiência em ficção, porém, que percebeu como ela poderia conversar com tantas outras pessoas. “Quando escrevi Dungeons & Drama, para ser sincera, era uma história muito mais pessoal”, disse. “Eu não pensava nisso dessa maneira até realmente começar a escrever os livros e perceber como essas experiências podem ser universais.”

E, embora Kristy ame escrever romance, ela faz questão de que seus personagens não encontrem todas as respostas apenas ao começar a namorar.

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Quero que os adolescentes saibam que existe mais na vida do que simplesmente ter um parceiro ou viver uma história romântica. A amizade é uma parte muito importante da vida.

Kristy Boyce

 

Psicologia também aparece nos livros

Além de escritora, Kristy Boyce é psicóloga social, professora e palestrante sênior no departamento de psicologia da The Ohio State University (Universidade Estadual de Ohio). Mas isso não significa que seus livros virem uma extensão da sala de aula.

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“Eu tento não usar muito a minha ‘voz de professora’ quando estou escrevendo”, brincou. “Quero que os livros continuem muito conectados à voz dos adolescentes.”

Mesmo assim, alguns dos temas que estuda inevitavelmente acabam chegando à ficção. Kristy trabalha com assuntos como autoestima e a forma como as pessoas constroem a percepção sobre si mesmas, questões que aparecem com frequência no amadurecimento de seus protagonistas.

“Tenho muito interesse em entender como começamos a compreender quem somos e de onde vem a nossa autoestima. E isso definitivamente acaba aparecendo nos livros”, explicou.

Fake dating, enemies-to-lovers e todas as tropes

Se você costuma escolher o próximo romance pela trope, Kristy entende perfeitamente. Fake dating, enemies-to-lovers, friends-to-lovers, slow burn… A autora já passou por algumas das fórmulas mais queridas pelos leitores de romance e, apesar de ter questionado no passado se deveria fugir delas, hoje enxerga as tropes como um ponto de partida.

“Houve uma época em que eu pensava: ‘Talvez eu não queira usar sempre as mesmas tropes. Quero tentar fazer alguma coisa diferente’”, contou. Com o tempo, mudou de ideia. “Quando você escreve usando uma trope, existe alguma coisa ali que se conecta universalmente com tantas pessoas. O que eu gosto de fazer é pegar essas tropes e colocar a minha própria interpretação nelas.”

E ainda há pelo menos uma dinâmica que ela gostaria de explorar, só não necessariamente em um YA. “Em romances adultos, gosto muito da trope de casamento por conveniência. Isso provavelmente não funcionaria para um público adolescente, então ainda não usei.”

Perfeccionistas também precisam perder o controle

Em Dados & Disputas, livro mais recente da autora, Hazel entra para a lista de protagonistas de Kristy. A personagem tenta manter tudo sob controle, carrega a pressão de agradar as pessoas ao redor e encara um último ano de escola que não sai exatamente como planejado.

A personalidade da personagem tem um pouco da própria autora. “Sou uma pessoa que planeja muito e sou perfeccionista”, admitiu Kristy. “Então gostei da ideia de criar uma personagem que também fosse perfeccionista e colocá-la em situações em que eu, como escritora, sabia que ela não conseguiria ter controle sobre tudo.”

Isso fica ainda mais evidente quando Hazel assume o papel de Dungeon Master. Afinal, por mais que a pessoa responsável pela campanha faça planos, os outros jogadores sempre podem levar a história para um caminho completamente diferente.

Kristy também quis aproveitar o livro para brincar com um estereótipo ainda ligado ao RPG: a ideia de que o papel de comandar a mesa pertence principalmente aos garotos.

Eu queria que o Game Master fosse uma menina, porque ainda existe um pouco desse estereótipo de que serão os meninos a ocupar esse papel. Mas qualquer pessoa pode fazer isso se quiser.

Kristy Boyce

 

 

Histórias para respirar um pouco

Talvez por isso os livros de Kristy sejam frequentemente associados à ideia de comfort reads: histórias leves e acolhedoras para quando a realidade já parece complicada demais. Mas, quando perguntada se sente uma responsabilidade de continuar oferecendo esse espaço aos leitores, ela prefere outra palavra. “Eu diria que é um privilégio”, respondeu. “É uma das maiores alegrias da minha vida poder fazer isso.”

E o escapismo não funciona apenas para quem lê.“Quando estou escrevendo esses livros, eles são uma forma de escapismo para mim. Eles me dão uma pequena pausa de todo o resto do mundo”, explicou.

Por isso, saber que a mesma sensação pode chegar ao outro lado da página é uma das partes favoritas de seu trabalho. “Pensar que talvez eu consiga dar a alguém uma pequena pausa, um pouco menos de ansiedade, um pouco mais de felicidade… É a melhor coisa do mundo.”

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Fonte https://capricho.abril.com.br/entretenimento/kristy-boyce-revela-como-dd-virou-muito-mais-que-um-nicho/

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