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espera acabou! Depois de conquistar milhares de leitores desde seu lançamento, em 2017, Quinze Dias finalmente chegou aos cinemas. Baseado no livro de Vitor Martins, o filme acompanha Felipe (Miguel Lallo), um adolescente que vê suas férias de julho virarem de cabeça para baixo quando descobre que Caio (Diego Lira), sua paixão de infância, passará duas semanas hospedado em sua casa.
Apesar de manter a essência que transformou a obra em um dos livros nacionais mais queridos da literatura LGBTQIA+ jovem, a adaptação faz algumas mudanças importantes em relação ao texto original. Com ajustes na narrativa, o longa apresenta surpresas até para quem conhece a história de cor. E pode ficar tranquilo: as mudanças ajudam a expandir e enriquecer a história que já conquistou tantos leitores.
A seguir, a CAPRICHO reuniu as 8 maiores diferenças entre o filme e o livro de Quinze Dias.
Os conflitos iniciais entre Felipe e Caio
Os primeiros momentos do filme seguem de perto o que é narrado por Felipe no livro. O protagonista apresenta sua rotina marcada pelo bullying na escola, os apelidos ofensivos que recebe dos colegas e o alívio de finalmente poder aproveitar as férias em casa. Seu plano é simples: passar quinze dias mergulhado em filmes, séries, livros e mangás. Mas tudo muda quando ele descobre que sua mãe, Rita (Débora Falabella), aceitou hospedar o vizinho.
Na obra original, a convivência entre os dois começa de forma desconfortável, mas sem grandes conflitos. Tirando o famoso momento em que Caio flagra Felipe de toalha e leva uma bronca por isso, os dois quase não conversam nos primeiros dias.
A distância, inclusive, vira motivo de preocupação para Felipe, que percebe o esforço de Caio para evitar interações. Em determinado momento, ele nota que o garoto está relendo as últimas páginas de A Sociedade do Anel apenas para não terminar o livro e precisar puxar assunto. A aproximação acontece aos poucos, principalmente depois que Felipe empresta As Duas Torres, criando espaço para as conversas antes de dormir.
Já no filme, a dinâmica ganha mais atrito. Os primeiros dias são marcados por pequenas discussões sobre ventilador, internet e até sorvete, transformando a convivência em uma sequência de provocações e desentendimentos. A grande briga acontece quando Felipe escuta Caio falando mal dele na piscina. A discussão escala rapidamente e termina com os dois caindo juntos na água, em uma cena inédita que estabelece uma relação mais turbulenta entre os personagens antes da aproximação romântica.
O date da Rita
Uma das novidades do filme é o espaço dedicado à vida pessoal de Rita. Enquanto no livro a mãe de Felipe já é uma figura muito presente e carismática, a adaptação mostra que ela também enfrenta inseguranças e frustrações para além da maternidade.
Nos primeiros dias da estadia de Caio, Rita deixa os dois adolescentes sozinhos em casa para sair com um arquiteto. A expectativa é de um encontro agradável regado a vinho, mas os planos não saem como esperado. Pouco tempo depois, ela retorna para casa visivelmente abalada porque levou um bolo. Em uma cena divertida e ao mesmo tempo melancólica, Rita comenta com Caio que, como um “boy hétero”, deve fazer o mínimo em um encontro.
O tema volta a aparecer mais adiante, quando Miguel está passando por um momento difícil e Rita tenta ajudá-lo. A conversa acaba se transformando em uma discussão, e ele desconta sua frustração nela, chegando a dizer que ela não entende nada sobre relacionamentos porque até o pai dele a abandonou. O comentário machuca Rita, mas os dois logo fazem as pazes em uma das cenas mais fofas da relação entre mãe e filho.
Mais tarde, o filme ainda entrega uma das sequências mais divertidas envolvendo a personagem. Durante um almoço em um restaurante chinês, Rita dá de cara com o homem que a deixou esperando no encontro. É então que Miguel resolve tomar as dores da mãe e confrontá-lo. O resultado é uma cena hilária e extremamente fofa.
A camisa xadrez de flanela vermelha e o pijama
No livro, as roupas têm um papel importante na jornada de autoconfiança de Felipe. Logo nos primeiros dias das férias, Caio acompanha Rita em uma ida ao shopping enquanto o protagonista fica em casa. Quando eles retornam, Rita entrega ao filho uma camisa xadrez de flanela vermelha. A surpresa vem quando Felipe descobre que foi Caio quem escolheu a peça.
O presente tem um significado maior do que parece. Ao longo da narrativa, Felipe comenta que costuma usar roupas mais discretas e evitar cores chamativas. A camisa vermelha acaba se tornando um símbolo de uma nova forma de enxergar a si mesmo, fazendo com que ele perceba que também pode ocupar espaço e se sentir bem com a própria aparência.
Outro detalhe marcante do livro envolve os pijamas. Felipe usa um pijama bege sem graça enquanto fica fascinado pelo estiloso pijama de marinheiro de Caio. Aos poucos, ele passa a investir mais em si mesmo e troca a peça antiga por um pijama do Batman, uma mudança simples, mas que representa o crescimento de sua autoestima ao longo da história.
No filme, alguns desses elementos são adaptados. O famoso pijama de marinheiro de Caio continua presente, mas a trama envolvendo os pijamas de Felipe fica de fora. Além disso, o protagonista já aparece usando roupas mais coloridas desde o início, reduzindo o impacto que a descoberta da camisa vermelha tem no livro.
A peça, porém, continua sendo importante para a relação entre os dois. Em vez de ser escolhida durante um passeio com Rita, ela surge em uma ida às compras com Beca e Caio. É nesse momento que Caio aponta a camisa e sugere que Felipe a experimente, mas ele responde que provavelmente não existe um tamanho que sirva nele. Mais tarde, antes de uma festa, Caio surpreende o garoto ao presenteá-lo com a camisa. Como se isso não fosse suficiente para acelerar os batimentos cardíacos dos fãs, ele ainda chama Felipe de lindo.
A Festa Junina virou a Festa do Caqui
No texto original, Felipe, Caio, Beca e Melissa vão juntos a uma Festa Junina. É durante o evento que Felipe bebe cerveja pela primeira vez e o grupo compartilha histórias sobre relacionamentos e experiências amorosas. Caio revela que já ficou com um garoto, despertando o ciúme de Felipe, que admite nunca ter beijado ninguém.
A noite ainda inclui um confronto com os valentões da escola, que acabam sendo enfrentados pelo protagonista. Chegando em casa e, após Caio derrubar água no próprio colchão, os dois acabam dormindo na mesma cama. Na manhã seguinte, a ressaca rende um sermão memorável de Rita sobre consumo de álcool.
No filme, toda essa sequência é reformulada. A tradicional Festa Junina dá lugar à Festa do Caqui. Antes mesmo de chegar lá, os personagens já enfrentam um desafio: Caio precisa sair escondido, já que sua mãe não permite que ele vá à festa. Para isso, ele e os amigos precisam despistar Rita e até o porteiro do prédio.
Embora a bebida continue presente, o assunto fica bem mais implícito na versão cinematográfica. Os valentões também não aparecem nessa parte da história. O conflito foi transferido para outro momento que já vamos falar sobre. Já a conversa sobre experiências românticas ganha uma nova abordagem.
Em vez da revelação sobre o passado amoroso de Caio, o filme entrega uma cena delicada na piscina de bolinhas. Depois de descobrir por Beca que Caio é gay, Felipe pergunta por que ele nunca contou isso diretamente. A conversa aproxima ainda mais os dois e culmina em um quase beijo.
A biblioteca virou um sebo (e sim, isso muda algumas coisas!)
No livro, a avó de Felipe aparece de forma sutil, mas muito significativa para a construção emocional do protagonista. Além dos tradicionais biscoitos da sorte — que também aparecem no filme —, há um momento importante em que Felipe decide visitar a biblioteca onde a avó trabalhava, algo que ele não fazia desde sua morte.
Lá, ele conversa com uma antiga colega e amiga dela, revisitando memórias e sentimentos que ainda não estavam totalmente resolvidos. Durante a visita, ele pega emprestado O Mágico de Oz, que acaba se tornando um presente. À noite, Felipe mergulha na leitura em busca de respostas para seus sentimentos confusos em relação a Caio.
No filme, essa sequência ganha uma nova ambientação e algumas mudanças importantes. Em vez da biblioteca, Felipe vai até um sebo, onde compra As Duas Torres para dar de presente a Caio, uma inversão interessante em relação ao livro, já que, na obra original, ele já possui o livro e apenas empresta ao garoto.
O sebo também traz uma participação especial: quem trabalha no local é o próprio Vitor Martins que aparece em uma breve cena entregando a sacola para Felipe e dizendo que o livro custa “quinze”. É o nosso Stan Lee friburguense.
O primeiro beijo e o avanço na intimidade
No livro, o primeiro beijo entre Felipe e Caio acontece em um encontro no cinema. Já no filme, essa virada acontece logo após os eventos da Festa do Caqui. No dia seguinte ao quase beijo na piscina de bolinhas, Felipe acorda de ressaca e percebe que Caio sumiu. Ele descobre depois que o garoto havia ido até uma praça para ler, sem levar o celular. Quando Caio retorna, Felipe pergunta onde ele estava e se ele se lembra do que quase aconteceu entre eles.
Caio leva Felipe a um lugar especial: o terraço do prédio. É lá que os dois finalmente conversam de forma mais aberta sobre seus sentimentos, e Caio dá o primeiro beijo em Felipe, em uma cena que consolida o romance de forma mais direta do que no livro.
Depois disso, o filme ainda inclui uma sequência inédita em que os dois saem juntos e fazem tatuagens de estrela. Nesse momento, os valentões reaparecem, e o casal decide enfrentá-los juntos, agora em uma postura mais confiante.
A narrativa então acompanha o retorno dos dois ao prédio. Em vez de irem diretamente para o apartamento de Felipe, eles sobem para o de Caio, onde a intimidade entre os dois avança ainda mais. No livro, esse passo não acontece pois Felipe ainda não se sente pronto, e a relação permanece em um estágio mais contido. Já no filme, o diálogo é mais direto: Felipe revela que nunca teve uma experiência sexuais e Caio responde que também não. A cena então se encerra com os dois juntos, compartilhando esse novo momento da relação.
O final de filme e a relação do Caio com os pais
Depois do casal finalmente assumirem seus sentimentos, Caio, Beca e Melissa organizam uma festa na casa de Caio. Durante o evento, um garoto com quem ele já havia ficado aparece e o surpreende com um beijo, pegando-o de surpresa. Felipe presencia a cena e, tomado pelo impacto emocional, reage impulsivamente ao acionar o alarme de incêndio, encerrando a festa de forma caótica. O episódio gera uma discussão entre ele e Caio.
A confusão faz com que os pais de Caio retornem mais cedo de viagem. Diante do clima pesado, Caio decide fugir de casa. Felipe, percebendo a gravidade da situação, cria coragem para ir atrás dele. Os dois se reencontram na rodoviária, onde conversam e se beijam.
Ao retornarem ao prédio, Caio decide encarar seus sentimentos de forma mais aberta e se assume para os pais, revelando que está namorando Felipe. A mãe inicialmente reage com resistência, mas aos poucos começa a aceitar a situação. No fim, Felipe retoma a ideia das “quinze coisas aprendidas em quinze dias” e encerra sua lista ao lado de Caio nadando na piscina.
No livro, no entanto, o encerramento é mais contido. A história termina com Felipe e Caio juntos na piscina, mas sem a necessidade de uma grande revelação familiar. Caio não chega a se assumir para os pais dentro da narrativa original, o que mantém sua trajetória mais aberta e silenciosa.
Quinze Dias está em cartaz em cinemas por todo o Brasil. Confira a programação de sua cidade.
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