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espera finalmente acabou. Depois de mais de uma década lendo comentários de “come to Brazil” nas redes sociais, o Wolf Alice fez sua aguardada estreia no país com apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo e parece que a experiência superou todas as expectativas da banda britânica.
Em entrevista à CAPRICHO, os integrantes falaram sobre a conexão com os fãs brasileiros, a campanha para tocarem Lipstick on the Glass, a energia dos shows e até revelaram suas obsessões totalmente brasileiras.
Para Theo Ellis, a recepção dos fãs brasileiros foi ainda mais emocionante do que ele imaginava. “Desde o começo da banda, víamos muitos comentários, mas por muito tempo parecia difícil imaginar que isso realmente aconteceria”, contou. Ao longo dos anos, ele percebeu o crescimento do público latino-americano e o surgimento de perfis dedicados ao grupo. Por isso, finalmente tocar no Brasil foi “um verdadeiro sonho realizado.”
São fãs muito apaixonados. Quando as pessoas querem te apoiar dessa forma, é uma das melhores sensações que existem. Isso faz toda a viagem valer a pena.
Theo Ellis sobre fãs brasileiros
Pouco antes da estreia no Brasil, fãs brasileiros iniciaram uma campanha para colocar Lipstick on the Glass no topo do iTunes do país. O movimento viralizou, chamou atenção da banda e acabou rendendo um presente especial: a música entrou no setlist da passagem pela América Latina.
Joel Amey revelou que ficou impressionado ao acompanhar tudo de perto. “Foi incrível. Eu estava esperando alguém confirmar que isso era real para mim. É simplesmente impressionante.”
O baterista também contou que ficou emocionado ao ver vídeos da reação do público durante as apresentações: “Nós amamos essa música e eu adoro que os fãs tenham criado uma conexão tão forte com ela. Foi muito especial poder tocá-la novamente. Eu vi vídeos das pessoas cantando tão alto que foi algo muito emocionante. Somos muito gratos por essa demonstração de carinho.”
Um show para ser vivido, não gravado
Quem esteve nos shows provavelmente percebeu uma cena cada vez mais rara: celulares abaixados e fãs completamente mergulhados no momento. Durante várias músicas, a banda incentivou o público a cantar, bater palmas e pular. O resultado foi uma troca de energia que marcou os integrantes.
“Foi bastante nostálgico. Nos lembrou dos primeiros anos da banda”, disse Ellie Rowsell. “Dava para sentir de verdade a conexão no ambiente, e isso é muito especial.”
A vocalista contou que o grupo chegou a brincar depois dos shows porque quase não existiam registros de alguns momentos. “Tivemos vários mosh pits e depois tentávamos encontrar vídeos. Mas ninguém tinha gravado nada porque todo mundo estava vivendo o show. Chegamos a brincar que ninguém iria acreditar na gente.”
Ao ouvir que uma fã saiu do show gritando “o rock está vivo!”, Theo não escondeu a felicidade. Segundo ele, seria uma honra se o Wolf Alice estivesse ajudando uma nova geração a descobrir bandas de guitarra e rock alternativo.
Todos nós crescemos amando bandas de rock. Se o Wolf Alice for o primeiro passo para alguém descobrir esse universo e depois conhecer os artistas que nos inspiraram, isso é incrível.
Theo Ellis
O músico também acredita que as bandas estão vivendo um momento especial: “Pelo menos em Londres, parece que há muitos jovens se reunindo para tocar juntos e buscando uma experiência ao vivo autêntica e visceral. E não existe nada como uma banda ao vivo. Se o rock realmente está vivo e nós fazemos parte disso de alguma forma, isso é fantástico.”
O que o Wolf Alice recomenda para quem visita o Brasil?
Depois de uma passagem rápida pelo país, Joel Amey já sabe qual conselho daria para qualquer pessoa que esteja planejando uma viagem para cá. “Não faça como nós e venha só para um show ou por 20 horas. Você precisa de mais tempo para experimentar o quão maravilhoso este lugar é.”
O que mais me marcou foi o amor que existe aqui pela música e pela dança. Quando saímos no Rio de Janeiro, senti uma sensação de liberdade. Achei tudo muito especial.
Joel Amey
E o clima? Nem parecia Brasil Uma das histórias mais engraçadas da visita foi que, justamente na primeira vez em que o Wolf Alice veio ao Brasil, o país estava vivendo dias de clima mais frio e nublado.
Quando perguntados sobre isso, os integrantes entraram na brincadeira. “Eu queria a vibe tropical caótica, não as vibrações cinzentas de Londres”, respondeu Theo.
Joff Oddie contou que isso parece acontecer com frequência nas viagens da banda: “A gente chega a lugares incríveis e exóticos e está chovendo, nublado e um pouco frio. E todo mundo sempre fala: ‘Normalmente não é assim’.”
Já Ellie encontrou um lado positivo na situação. “Se você ainda ama estar ali mesmo quando está cinza e chovendo, então é porque o lugar é realmente especial. Nós continuávamos dizendo: ‘Nossa, eu amo isso aqui’. Então só tende a ficar melhor quando voltarmos.”
As obsessões atuais do Wolf Alice
Para encerrar, os integrantes participaram do quadro “Estamos Obcecados” e revelaram suas paixões do momento.
Ellie foi direta: “Chocolate. Durante toda essa viagem, as pessoas não pararam de nos dar chocolate de presente. Sinto que meu sangue está correndo com chocolate neste momento.”
Theo escolheu uma obsessão bem brasileira: “o Rio de Janeiro, porque eu preciso voltar imediatamente e sair para dançar de novo.”
Joel contou que ficou inspirado pela música que ouviu durante uma noite na cidade. “Quando saímos do táxi perto de uma loja de discos, estava tocando uma música disco incrível. Estou tentando mergulhar mais nesse universo da disco music.”
Já Joff revelou uma paixão inesperada: os violões brasileiros. “Antes de vir para cá, minha obsessão era tentar comprar um violão brasileiro. Existem vários modelos históricos incríveis que músicos como Baden Powell costumavam tocar. Passei meses pesquisando sobre isso.”
Se depender da banda, essa história entre Wolf Alice e Brasil está apenas começando. Afinal, depois de esperar mais de 15 anos para tocar por aqui, os próprios integrantes já deixaram claro: eles querem voltar (e os fãs brasileiros também querem muito mais shows).
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